90% dos motoristas de Uber no Brasil são homens e 45% têm nível superior
O Brasil conta com mais de 1,4 milhão de motoristas na plataforma Uber. O número faz parte de uma pesquisa da própria empresa junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O valor, já conhecido desde o ano passado, chama a atenção não só pelo vultuoso número de motoristas uberizados, já que o país é o que registra mais viagens e mais motoristas da empresa. O levantamento também traçou o perfil dos motoristas por aqui, sendo que o padrão é o de homem (90,6% do total) com uma média de idade de 42,1 anos.
Também é revelado que 45% dos condutores aqui no Brasil têm, no mínimo, o curso superior, e outros 46% mais de 12 anos de estudo, o que indica ensino médio completo.
Dessa maneira, este perfil do ‘Uber brasileiro’ indica que a plataforma tem sido utilizada por indivíduos com qualificação acima da média dos trabalhadores O estudo, feito em outros países da América Latina, entre eles México, Argentina e Chile, também mostra que a média geral de idade considerando todos os países da região fica entre 39 e 42 anos, ou seja, o Brasil está na mesma faixa.
Leia mais: Brasil vira maior mercado da Uber à base de jornadas exaustivas e precarização
Também é destacado que a média de horas logadas no aplicativo da Uber é de 24 horas semanais entre os brasileiros, o que também indica que muitos utilizam o app como complemento de renda. Por outro lado, trabalhadores com menos escolaridade, com até 9 anos de educação, têm uma média semanal de 29 horas.
Ainda é visto que 56% dos condutores nacionais são responsáveis por toda ou maior parte das despesas de suas famílias. Além disso, 17% alugam o automóvel com que trabalham, o maior percentual na AL.
De 2019, quando da primeira pesquisa, até 2024, data do atual estudo, houve aumento de 4,4% no número de condutoras mulheres, o maior percentual entre os pesquisados.
O levantamento BID-Uber entrevistou 2.069 motoristas no Brasil entre agosto e setembro de 2024; no entanto os números só foram divulgados nesta semana. Junto aos demais países da AL (Argentina, Chile, Colômbia, México, Equador, Costa Rica e República Dominicana), foram ouvidos 13.722 condutores.
Brasil e a ‘uberização’
Segundo o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, em painel da BTG Pactual no ano passado, o Brasil se tornou o principal mercado da Uber no mundo: “O Brasil é um mercado incrível, com motoristas ‘famintos’ por oportunidades”.
Apesar da colocação, os grandes números escondem uma ilusão sobre flexibilidade, escamoteada por uma “escravidão digital”, em meio à precarização do trabalho no Brasil, apesar das taxas de desemprego em queda absoluta.
Atualmente, o governo Lula trabalha para regulamentar o setor dos trabalhadores por aplicativo, tanto no setor de transporte quanto no de entregas. A proposta está mais avançada no que tange aos apps de entrega, em que foi criado o Grupo de Trabalho (GT) dos entregadores por aplicativo com a finalidade de garantir direitos e em que já foi atualizada uma parte da Norma Regulamentadora nº 16 (NR 16).
Já a relação entre os trabalhadores de transporte e as plataformas, popularmente chamada de “uberização”, tem como linha de frente o debate no Supremo Tribunal Federal (STF), sem perspectiva de incluí-los na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), mas com a ideia de garantir direitos mínimos, com melhores condições de trabalho, suporte técnico e maior transparência quanto à remuneração.
O post 90% dos motoristas de Uber no Brasil são homens e 45% têm nível superior apareceu primeiro em Vermelho.