Ataque ao Irã traz punição econômica aos países do Golfo e aos EUA
O ataque ao Irã, tratado como “declaração de guerra contra muçulmanos”, já afeta a economia mundial, uma vez que atinge os países do Golfo Pérsico e prejudica o escoamento de petróleo.
Após ser covardemente atacado pelos Estados Unidos e Israel, o governo do Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo mundial. O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, com saída para o Mar Arábico que leva ao Oceano Índico. O fechamento afeta diretamente os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Bahrein, o Kuwait e o Iraque, assim como o próprio Irã.
Cerca de 20% de todo o petróleo mundial passa por esses golfos. Informações baseadas no rastreamento de navios pela plataforma MarineTraffic indicam que 150 navios-tanque (com petróleo bruto ou gás natural liquefeito) estão ancorados nas águas do Golfo Pérsico para evitar passar pelo estreito. No sentido oposto, outra centena de navios que iam em direção aos portos da região também pararam de se mover, próximos à costa de Omã e dos Emirados Árabes (este último possui litoral nos dois golfos).
O principal porto do Oriente Médio, de Jebel Ali, localizado em Dubai, nos Emirados Árabes, teve seu funcionamento suspenso neste domingo (1º). O porto é o nono do mundo em movimentação de contêineres e o centro da economia da região – ele fica voltado para o Golfo Pérsico.
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Duas das principais transportadoras de contêineres do mundo, a CMA CGM e a Hapag-Lloyd comunicaram às suas embarcações que não transitassem na região, com o aviso para resguardarem a segurança. Outras empresas que transportam contêineres e combustíveis, como Mitsui OSK Lines, NYK Lines e Maersk, também seguiram essa linha, inclusive avisando clientes sobre possíveis atrasos em entregas.
Com a reabertura dos mercados após o final de semana, é esperado que, na segunda-feira (2), o preço das commodities, em especial o petróleo, possa subir. A medida também afeta o Irã, mas atinge os países vizinhos que possuem bases militares dos EUA e pressiona outros atores da região a se posicionarem contra novos ataques.
Além de todos os países da região e dos envolvidos no conflito, a interrupção da movimentação das embarcações também atinge outros países da Ásia, como a China, e da Europa, que compram o petróleo produzido por lá.
Efeitos possíveis
Ao atingir os interesses das potências mundiais, em especial dos EUA, que traçam uma cruzada pelo petróleo mundial ao atacar o Irã e a Venezuela, os iranianos podem iniciar uma estratégia de defesa que passa pela economia, ainda que afete suas finanças.
O choque do fechamento do estreito de Ormuz, caso se arraste, e, consequentemente, da paralisação das funções do porto de Jebel Ali, pode trazer: impactos sobre preços globais de energia; choque financeiro e instabilidade do mercado financeiro; prejuízos a aliados estratégicos dos EUA; e pressão sobre a Quinta Frota dos EUA no Bahrein.
Caso os preços globais subam e os mercados encontrem dificuldades, o efeito também poderá ser sentido politicamente pelos países envolvidos no conflito.
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