“É um disparate”: Lula denuncia machismo e exige igualdade no futebol
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que a Copa do Mundo Feminina de 2027, sediada no Brasil, seja um marco de transformação social e de valorização das mulheres no esporte, ao denunciar a desigualdade de gênero que persiste no futebol brasileiro. Durante a cerimônia do Tour da Taça nesta quinta-feira (27), Lula afirmou que o país precisa “se redimir” do “vexame” de 2014 e construir um novo capítulo de respeito, igualdade e fortalecimento das jogadoras.
Ao tratar da diferença salarial entre homens e mulheres no futebol, Lula foi contundente. “É um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização das jogadoras mulheres. Isso é um processo chamado preconceito de gênero. É a diferença que existe na sociedade machista no tratamento que dão às mulheres.”
O presidente comparou casos extremos de desigualdade ao destacar jogadores “no banco de reserva ganhando um milhão e meio, sem atuar há vários meses”, enquanto atletas da Seleção Feminina recebem entre R$ 20 mil e R$ 25 mil — e, em clubes, até R$ 5 mil ou um salário mínimo. Segundo ele, as atletas “mereciam ganhar um pouco mais, porque são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol”.
Copa Feminina como redenção
Lula afirmou que o Mundial de 2027 representa a oportunidade do país virar a página do trauma histórico da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014. “A Copa Feminina aqui no Brasil tem que significar um símbolo para nós nesse momento histórico que estamos vivendo. Primeiro, porque nós temos que nos redimir do que aconteceu conosco em 2014. Foi um vexame.”
Para o presidente, a goleada não foi culpa dos jogadores, mas de um ambiente político contaminado por ataques, manipulações e mentiras que criaram um clima de hostilidade no país. Lula lembrou das mentiras sobre corrupção e das vaias contra a presidenta Dilma Rousseff, que, segundo ele, contribuíram para um cenário delicado que afetou a Seleção.
“Não foi um vexame dos jogadores. O Brasil vivia um momento muito delicado, em que havia muitas mentiras sobre corrupção na Copa do Mundo. Aquilo resultou na meninada toda nervosa, toda irritada, porque não havia clima sequer para jogar futebol”, falou.
Valorização e respeito institucional
Ao projetar o Mundial Feminino, Lula destacou que o torneio deve impulsionar mudanças estruturais e colocar as mulheres no centro das políticas esportivas. “Eu acho que essa Copa do Mundo é um alento para que a gente possa sair com as mulheres muito mais valorizadas, respeitadas como os homens são hoje.”
Ele cobrou responsabilidade da CBF e das federações estaduais. “As mulheres precisam ser respeitadas. Aqui no Brasil, nós precisamos avançar, e a Copa do Mundo vai servir para isso. Então cabe à confederação brasileira e às federações estaduais tratarem o futebol feminino com respeito.”
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com agências
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