Luciana Santos destaca relevância da disputa cultural nas eleições de 2026
Na abertura do seminário “Guerra Cultural e eleições” nesta sexta-feira (27), em Brasília, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, disse que o país vive um momento em que a disputa cultural não é secundária e já assume papel estrutural na política.
“O nosso PCdoB tem longa tradição de estudar e debater a interseção desse ambiente cultural com os processos eleitorais. E nesse ano, em particular, é importante que a gente se debruce sobre esses temas porque eles estão imbricados. E a influência é ainda maior do que outros tempos tanto pelo avanço da tecnologia quanto pela polarização política”, disse.
Para esse enfrentamento, a ministra falou da importância do fortalecimento da militância, do debate ideológico e da construção de narrativas compartilhadas.
“A guerra cultural marcada pela polarização e pela disputa de sentidos vai influenciar diretamente a forma como os cidadãos compreendem os fatos, constroem opinião e tomam decisões políticas”, disse Luciana no evento promovido pela Associação Nacional de Advogados e Advogadas Pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC), com apoio da Fundação Maurício Grabois (FMG) e da União da Juventude Socialista (UJS).
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Ela citou como exemplo o avanço de tecnologias relevantes como a Inteligência Artificial (IA). “A sua contextualização em ambientes eleitorais tende na prática a potencializar a desinformação e confundir o debate de ideias. Isso eleva os desafios para além de projetos. Trata-se de defender uma esfera pública saudável para que a tecnologia não seja instrumento de manipulação, mas de fortalecimento da transparência e de conhecimento”, observa.
Luciana diz que a guerra cultural influencia diretamente o processo eleitoral porque molda o imaginário social e os sentidos do que é verdade e legitimidade na política.
“Se observarmos o cenário internacional, veremos como essa dinâmica foi decisiva nos Estados Unidos com a eleição de Donald Trump, marcada pela forte mobilização identitária, uso intensivo de redes sociais, questionamento institucional e circulação massiva da desinformação. A disputa cultural antecedeu e moldou a disputa eleitoral”, destaca.
No caso da Argentina, segundo a ministra, a situação não foi diferente. “A vitória de Milei [Javier] também se apoiou na narrativa anti-establishment com forte presença digital, linguagem disruptiva e mobilização emocional em torno de valores e ressentimentos sociais. Em ambos os casos, a política tradicional foi tencionada por estratégias comunicacionais, que operam menos na racionalidade programática e mais na construção de identidades e antagonismos”, disse.
Fake news
Luciana disse que nas eleições mais recentes no Brasil esse fenômeno ficou explícito com a desinformação, os ataques aos ambientes democráticos, a disseminação de conteúdos manipulados, campanhas coordenadas em rede e instrumentalização de pautas morais.
“Isso demonstra que os conflitos culturais antecedem e moldam o próprio processo eleitoral. Tecnologia de comunicação, redes sociais e algoritmos, inteligência artificial, mecanismos de amplificação entram na disputa como vetores de poder simbólico, retórica, narração, e narrativas disputadas moldam expectativas, intenções de votos e decisões eleitorais”, avalia.
Por fim, a ministra parabeniza a realização do evento e diz que ele servirá não apenas para fazer diagnósticos, mas para pensar estratégias coletivas dentro do processo democrático e ético para enfrentar a guerra cultural.
“Isso para resgatar princípios republicanos e viver numa democracia baseada em fatos, debate de qualidade e respeito ao pluralismo. É muito importante que possamos olhar para esse processo na perspectiva da Justiça e do direito eleitoral para que tenhamos condições de acompanhar essas mudanças que acontecem de forma tão rápida e também dar respostas adequadas à complexidade que esse quadro representa”, afirma.
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